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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Depoimento de um Pai


Bom, depois de alguns meses alimentando meu pequeno sítio com matérias que acredito serem relevantes para a vida de um pai, chegou a hora de dar meu depoimento pessoal, afinal, minha princesa esta prestes a enfrentar esse mundo em que vivemos, e vamos concordar, não é algo muito fácil.

Foram noves meses desde a descoberta da gravidez, a princípio o frio na barriga indicava a falta de preparo e o medo de ter tamanha responsabilidade até o fim de nossas vidas. Conforme os meses foram se passando, a tensão aumentava junto com a barriga da minha esposa. Eu sempre me policiei para não demonstrar insegurança ou medo por esse momento, pois acredito que a mãe já tenha muita coisa na cabeça para se preocupar, e, se o pai não passar o mínimo de confiança e fé de que tudo dará certo, de nada terá ajudado para que a mulher tenha o mínimo de confiança de que as coisas realmente irão dar certo.

A vida continuava, e, entre um ultra-som e outro, fui percebendo que tinha tudo para dar certo mesmo, e porque não havia de dar? Vou ter uma filha, tenho uma companheira a qual amo muito, e tenho uma bela família que sempre me apoiou em todas as decisões que tomei ao longo dos meus 31 anos.

Bom, entre comemorações, discussões, chá-de-bebe, e tudo que envolve uma gravidez, tínhamos algumas pendências para acertar antes da chegada da Anne, primeiro, Papai e Mamãe não eram casados. Bom, isso se resolveu simplesmente no dia 14 de novembro do ano passado. Casamos no cartório e depois comemoramos com os meus irmãos que também casaram no mesmo dia no salão de festas do prédio onde mora meu cunhado, diga-se de passagem, mais irmão do que cunhado. A festa foi simples, mas bastante divertida. Bebemos, dançamos, teve depoimento de um bêbado (no caso era eu) e tudo mais. Eu comemorava intensamente esse dia, pois foram nada mais nada menos que 13 anos de namoro (pasmem), isso mesmo, 13 anos. Até que ao final da festa, todos voltaram para os seus respectivos lares, e nós (A Gi e eu), fomos para a casa da minha mãe, pois ainda não tínhamos onde morar. Aquilo de certa forma me incomodou, mas segurei a bronca e como sempre, pensei em Deus e tive fé que logo logo essa situação teria uma solução. Mas a Gi, coitada, caiu em lágrimas desesperada por estar vivendo um momento mágico e ao mesmo tempo uma situação de indefinição sobre onde iríamos viver. Foi onde decidir não descansar na minha merecida semana de licença. Todos foram para a praia, a Gi teve que voltar ao trabalho, e eu.... bem eu, fui a luta, jurei para mim mesmo que naquela semana encontraria minha casa, encontraria o teto que minha filha iria morar e daria a notícia que completaria felicidade da minha agora esposa. Precisei correr, pois meu tempo era muito curto. Com uma carta de consorcio aprovada nas mãos, bati de corretora em corretora visitando todos os tipos de casas possíveis e imagináveis, até que no meu ultimo dia de licença, achei algo que me agradou, e agradou muito. O valor do imóvel estava acima do que tínhamos, mas entre uma negociação e outra, conseguimos bater o martelo num valor razoável para ambos. Bom, depois de um bilhão de papeladas e aprovações tenho orgulho de dizer que, conseguimos, assinamos a escritura da nossa tão sonhada casa.

Um certo dia alguém me disse “Ricardo, fica tranqüilo, tudo vem no seu tempo certo”. E realmente é o que esta acontecendo em nossas vidas, primeiro veio a Anne, que trouxe o tão esperado casamento, e por fim nos abençoou com a nossa casa.

Termino esse depoimento com lágrimas nos olhos, emocionado e com muito orgulho de gritar para o mundo “EU VENCI.....EU VENCI”.

Gi, agradeço por você existir e fazer parte da minha vida, sem você nada pra mim faz sentido. Tenha a certeza que seremos felizes, mais do que já somos, até o final de nossas vidas.

Filha, espero que um dia possa ler esse depoimento, pois aqui resumo muita coisa do bem que você faz pra gente, papai e mamãe te amam muito.

Aos familiares (Denise, André, Flavio, Jucélia, Dona Lourdes, Bruno, Núbia, Vivi, Gilmara), obrigado por tudo, de verdade, sem o apoio e torcida de vocês, tudo seria muito mais difícil.

Minha Mãe: Mami, sua fé realmente move montanhas, com você aprendi a acreditar que realmente existe alguém maior olhando por nós....”ele esta no meio de nós”.Te amo muito.

Meu Pai: Espero ser um terço do que o senhor foi nessa vida, a vontade de trabalhar, a honestidade e simplicidade fazem de você um homem incrível. Obrigado meu Pai, meu Espelho.

Ricardo

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A gravidez de um pai

A gravidez de um pai

A gravidez de um pai não se dá nas entranhas, mas fora delas.

Ela se dá primeiro no coração, onde o sentimento de paternidade é gerado. Um desejo de ser e de se ver prolongado em outra vida, que seja parte de si mesmo, mas com vida própria...

E quando ele sente pela primeira vez a vida que ajudou a gerar, tudo toma outra forma. Ele sente um chute e se diz já que este será um grande jogador de futebol. E muitas vezes se surpreende e se maravilha quando vê uma princesinha que sabe chutar tão bem. Mas tanto faz. Está ali um sonho que se torna palpável.

E um parto de pai se dá quando ele pega pela primeira vez sua criança nos braços, quando ele se vê em características naquele serzinho tão miudinho que nem se dá conta ainda que veio ao mundo e que se tornou o mundo de alguém. E os sentimentos e emoções se atropelam dentro dele. E ele sente que, à partir desse instante, a vida nunca mais será a mesma. E ele precisa olhar dez, cem, mil vezes para acreditar que tudo não passa de um sonho. E geralmente há um enorme sentimento de orgulho que toma posse dele.

Assim se forma um pai. Pronto para ensinar tudo o que aprendeu da vida, um dia ele descobre que não sabe realmente muito, que na verdade aprende a cada instante. Diante da sua criança ele se torna um adulto vulnerável e acessível. E vai gerando, pouquinho a pouquinho, dentro de si mesmo, a arte de se tornar um pai.

Letícia Thompson